domingo, 28 de abril de 2013

A rosa e a formiga

       Uma formiga caminhava sobre a pétala de rosa. Pobre criatura desesperada. Sentia-se imergir em um sedoso e vermelho mar tardio. Suas ínfimas patas oscilavam por entre as irregularidades da infinda pétala de extremidades já ressecadas e, por isso, febris e negras. A rosa, apesar de noturna, mergulhava em todas as cores do universo enquanto recebia os carinhos de patas tão desorientadas. Pétala e patas confundiam-se em um transe caótico. De repente, eu era a formiga efêmera e pânica. Você, a rosa inteira e farta. Depois, eu fui a rosa dionísica. Você, formiga miúda e cálida.