Vem, que aí eu ponho Chico na vitrola
Vamos soltar os passarinhos da gaiola
E depois ir ao Cine Odeon pegar a última sessão
Discutir sobre nossa filosofia errante, em contra-mão
Vamos guardar as angústias em uma gaveta
Pendurar na porta uma lembrança branca e preta
Espalhar esperança e poesia nas estantes
Vamos nos tornar mais amantes
Vamos roubar um fusca pra ir embora
Firmar um pacto de esquecer a hora
Filmar as bolhas de sabão daquela festa no jardim
Vamos viver assim
Pega aquela flor que eu te dei
E coloca de novo no cabelo
Pra você ficar com cara de menina,
Transpor um arco-íris pra retina, ser feliz...não sei
Vamos abrir a janela
Encontrar as chaves dessa cela
Subir aquela ladeira, falar besteira
Rezar pra um santo, ter fé, acender uma vela
Que nossa arte, querida, há de caber em alguma parte
Escura ou clara dessa estranha vida
E nossos gritos hão de cicatrizar alguma ferida
E cada lágrima e sorriso há de guardar o que preciso.






