sexta-feira, 26 de julho de 2013

Há duas uvas do fim

Semana passada, comprei um cacho de uvas na feira. Eram rosadas, quase vermelhas. Pareciam parte de um quadro pontilhista. Cheias de manchinhas, ovaladas. Admirei-as. Em seguida, lavei-as, coloquei-as na geladeira e...esqueci. Hoje, depois de ter esvaziado os armários, lembrei delas, solitárias na prateleira fria. Arranquei-as do cacho e as despojei em um potinho, acompanhando com generosas colheres de leite condensado. Eram doces por dentro, mas geladas demais. As cascas, mesmo finas, azedas. Comia-as banhadas no leite. Não estavam boas. Mas eram tão bonitas...Quando havia apenas duas no pote, descobri que partido-as, o fruto adocicado se mesclaria melhor ao leite condensado. E então lembrei: as melhores coisas da minha vida chegam, invariavelmente, atrasadas. Aproximadamente, há duas uvas do fim.

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