Uma formiga caminhava sobre a pétala de rosa. Pobre criatura desesperada. Sentia-se imergir em um sedoso e vermelho mar tardio. Suas ínfimas patas oscilavam por entre as irregularidades da infinda pétala de extremidades já ressecadas e, por isso, febris e negras. A rosa, apesar de noturna, mergulhava em todas as cores do universo enquanto recebia os carinhos de patas tão desorientadas. Pétala e patas confundiam-se em um transe caótico. De repente, eu era a formiga efêmera e pânica. Você, a rosa inteira e farta. Depois, eu fui a rosa dionísica. Você, formiga miúda e cálida.
domingo, 28 de abril de 2013
sábado, 30 de março de 2013
Dicionário brasileiro
li.ber.da.de de ex.pressão def. 1. Superstição presente no imaginário popular. 2. Direito comumente sufocado por bomba de gás lacrimogêneo ou spray de pimenta. sin. Utopia, quimera, sonho.
sexta-feira, 29 de março de 2013
(...)
Tenho em mim a certeza de que nunca será suficiente chegar a um ponto. Um ponto sempre incita novos sonhos – pontos – ou acorda aqueles adormecidos. Eu vivo insatisfeita. O que não quer dizer que eu nunca chegue a um ponto. É só que, por exemplo, três pontos já formam reticências. E cada reticências oferece um milhão de possibilidades. Eu desejo, em êxtase, agarrá-las todas. Mas não posso. Ah, são impiedosamente efêmeras as veredas dessa vida!
quinta-feira, 28 de março de 2013
Naufrágio
Imergiremos em nuances
E ondas do oceano da alma
Depois de tantas tempestades
A previsão é de solidão
Mas não estaremos sem sóis
Há de passar pela fresta
De nossas negras janelas
Algum feixe de luz
Ainda que sejamos resto,
Subversão e submundo
[qualquer-troço-vagabundo
Lembre-me de evitar
Outra overdose de realidade
Traz nosso ópio: a ilusão
Posso segurar tua mão?
Ando tão triste
Quem vai me ouvir?
Será que existe
Algum lugar longe daqui?
É pra lá que sonho ir
Não, navegar não é preciso
Preciso é naufragar
[dentro de si.
Ando tão triste
Quem vai me ouvir?
Será que existe
Algum lugar longe daqui?
É pra lá que sonho ir
Não, navegar não é preciso
Preciso é naufragar
[dentro de si.
sábado, 23 de março de 2013
Trago
E se vier, meu bem
Não precisa trazer nada
[além
Do seu coração em chamas
Porque o teu amor
É a única fumaça que trago.
Cracolândia
Aula de português:
Eu trago
Tu tragas
Ele tragava
[mas morreu
[mas morreu
Nós tragamos
Vós tragais
Os traficantes trazem.
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