Filosofia de uma desencontrada
É trágico e belo o efêmero espetáculo da vida. É única e
indelével nossa aventura pelo mundo. Surpresa e monotonia. Dores e delícias. Lágrimas
e alegrias. Não deixe que John Lennon seja the only one,
rapaz – be a dreamer. Acredite em Raul: "não
pense que a canção está perdida." Arrisque-se em direção ao
desconhecido, tome coragem. Não dispense a genialidade de Clarice: “Perder-se
também é caminho.” Há sempre uma epigênese em oceanos de incerteza. Não
saia por aí contando verdades absolutas. Não esqueça que certo e errado são
apenas pontos de vista. E, não há valor indubitável. Que você tenha força para
perseguir seus sonhos. E, muita coragem para buscar os meios para realizá-los.
Quando for escolher uma carreira, esqueça de escutar o senso comum. Mesmo após tantas revoluções, as pessoas continuam confundindo dinheiro e status com
felicidade. Pense em algo que genuinamente desperte seu interesse. Depois, certifique se
você poderá fazê-lo com paixão. Então, siga em frente. Não há
pesquisas nem dados científicos que comprovem, mas não se preocupe: a
felicidade transcende a ordem da razão. Lembre-se que certas vezes seu coração
baterá triste. Entenda que não existe maniqueísmo. Não somos bons ou maus,
alegres ou tristes. Há, em cada indivíduo, o paradoxo da existência. A alma é
suficientemente ampla para abrigar as antíteses. Nossa identidade é também
resultante dos conflitos, tempestades, descontinuidades. “A única coisa
permanente é a mudança” como bem afirmou Heráclito. É fascinante o
transitar dos tempos. O decorrer da vida. O tempo pode até amolecer corações de
pedra, sabia? Pois é. Ele possibilitará que pontes sejam erguidas. Então,
faça isso ao invés de construir muros. Vivemos na Era da Informação. Tudo pode
ser acessado, visualizado, invadido, m-o-d-i-f-i-c-a-d-o. Que a vida seja,
então, uma sucessão de novidades e encantamentos. Que as aquarelas sejam mais
vivas e que as telas fiquem menos brancas. A vida precisa de tons. Ainda que
sejam os clássicos preto e branco. Não esqueça de dar play na cena,
colocar os discos na vitrola, cantarolar desafinado, dividir uma casquinha de
sorvete com alguém especial, lavar a alma com água da chuva, soltar passarinhos
da gaiola, chorar de rir, jogar-se na cama, tirar os sapatos, desabotoar o
terno, contar as estrelas, colecionar conchinhas da praia, doar sorrisos.
Quando você conseguir achar graça nisso tudo, pode ter certeza que aprendeu a
viver. E, então, delicie-se. Em tom de despedida, suplico finalmente: “Vida
louca, vida. Vida breve, já que eu não posso te levar quero que você me
leve.”
Obs: Este texto foi intencionalmente redigido sem parágrafos. Em respeito ao livre transitar de minhas ideias e palavras.
Por hora, deixarei as regras pro mundo real. Liberte-se também.
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