segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Liquidificador de ideias


Filosofia de uma desencontrada

É trágico e belo o efêmero espetáculo da vida. É única e indelével nossa aventura pelo mundo. Surpresa e monotonia. Dores e delícias. Lágrimas e alegrias. Não deixe que John Lennon seja the only one, rapaz – be a dreamer. Acredite em Raul: "não pense que a canção está perdida." Arrisque-se em direção ao desconhecido, tome coragem. Não dispense a genialidade de Clarice: “Perder-se também é caminho.” Há sempre uma epigênese em oceanos de incerteza. Não saia por aí contando verdades absolutas. Não esqueça que certo e errado são apenas pontos de vista. E, não há valor indubitável. Que você tenha força para perseguir seus sonhos. E, muita coragem para buscar os meios para realizá-los. Quando for escolher uma carreira, esqueça de escutar o senso comum. Mesmo  após tantas revoluções, as pessoas continuam confundindo dinheiro e status com felicidade. Pense em algo que genuinamente desperte seu interesse. Depois, certifique se você poderá fazê-lo com paixão. Então, siga em frente. Não há pesquisas nem dados científicos que comprovem, mas não se preocupe: a felicidade transcende a ordem da razão. Lembre-se que certas vezes seu coração baterá triste. Entenda que não existe maniqueísmo. Não somos bons ou maus, alegres ou tristes. Há, em cada indivíduo, o paradoxo da existência. A alma é suficientemente ampla para abrigar as antíteses. Nossa identidade é também resultante dos conflitos, tempestades, descontinuidades. “A única coisa permanente é a mudança” como bem afirmou Heráclito. É fascinante o transitar dos tempos. O decorrer da vida. O tempo pode até amolecer corações de pedra, sabia? Pois é. Ele possibilitará que pontes sejam erguidas. Então, faça isso ao invés de construir muros. Vivemos na Era da Informação. Tudo pode ser acessado, visualizado, invadido, m-o-d-i-f-i-c-a-d-o. Que a vida seja, então, uma sucessão de novidades e encantamentos. Que as aquarelas sejam mais vivas e que as telas fiquem menos brancas. A vida precisa de tons. Ainda que sejam os clássicos preto e branco. Não esqueça de dar play na cena, colocar os discos na vitrola, cantarolar desafinado, dividir uma casquinha de sorvete com alguém especial, lavar a alma com água da chuva, soltar passarinhos da gaiola, chorar de rir, jogar-se na cama, tirar os sapatos, desabotoar o terno, contar as estrelas, colecionar conchinhas da praia, doar sorrisos. Quando você conseguir achar graça nisso tudo, pode ter certeza que aprendeu a viver. E, então, delicie-se. Em tom de despedida, suplico finalmente: “Vida louca, vida. Vida breve, já que eu não posso te levar quero que você me leve.” 

Obs: Este texto foi intencionalmente redigido sem parágrafos. Em respeito ao livre transitar de minhas ideias e palavras.  

Por hora, deixarei as regras pro mundo real. Liberte-se também.




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