quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A menina que queria conhecer o céu


          

          Era diferente. Devia ter a pele doce. Se não a tinha, pelo menos seu nobre coração era. Se tivesse que pintá-lo, usaria tinta vermelha, sua cor favorita. E, não dispensaria colheres de açúcar pra cristalizar o desenho, assim, abrigaria um toque de realidade. Nos seus olhos, tons que me transportavam até as memórias de infância. Certa vez, conversávamos casualmente, sentadas no banco. Falávamos sobre lugares para conhecer, listamos: Espanha, Paris, Londres, Canadá e uma infinidade de mesmices. Ela, depois de muito tempo de palavras enxutas, revelou-nos o destino que desejava: o céu. Nem carro, ou mesmo navio e muito menos avião. Suas asas seriam um grande balão. Foi uma das coisas mais lindas que já ouvi. Admirei-a em silêncio e chorei. Ela sabia, embora não acreditasse, tirar seus pés do chão. Queria ficar pertinho das paredes azuis que aprendemos a contemplar de longe. Iria descobrir e trazer em sua bagagem a resposta para o questionamento que desde pequena fiz à minha mãe: se as nuvens eram mesmo de algodão. Era tão simples seu desejo e era também peculiarmente seu. Fazia dela um ser bem maior. Tenho certeza que conhecerá o céu, porque é provavelmente um anjo em metamorfose. Então, vou fazer dois pedidos: pra você trazer um pedacinho de nuvem pra eu guardar em um pote e pintar o arco-íris de sete cores mais fortes.

Texto dedicado à minha querida amiga, Samara Simão.

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