quinta-feira, 14 de março de 2013

Vim-me embora de Passárgada

Lá não tive a mulher,
E sim as mulheres que quis
Nas camas que escolhi
O rei, então, mandou-me embora: “Vai-te daqui!”
Recolhi os cacos de amor e nunca mais fui feliz
Apesar de toda tristeza,
Trouxe na mala, o retrato de Teresa
Apesar da falta de cama,
Trouxe a colcha bordada por Ana
Apesar de todo problema,
Trouxe num pote, doce de Madalena
Apesar de sem alegria,
Trouxe no bolso, um amuleto de Maria
Apesar de querer bis,
Trouxe no peito, o amor de Beatriz
Apesar de apagada a vela,
Trouxe chama quente de Manoela
Vim-me embora de Passárgada
Lá agora sou o inimigo do rei
Vim-me embora de Passárgada
Mas deixei meu coração partido em seis
Vim-me embora de Passárgada
E dessa vez não voltarei
Meu canto agora é desbotado
E a vida já não tem mais sentido
Empurrei pra dentro do ralo
A chave do paraíso...


Nota: Intertextualidade explícita com o poema "Vou-me embora pra Passárgada" de Manuel Bandeira.

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