O tempo correu. Barco naufragado, garrafas quebradas, queijo mofado na geladeira. Era de se esperar. O velho Heráclito, que renova-se todos os dias dentro de nós, nunca falha. Antes, a tristeza e a alegria eram tão...polares! Agora, pó pelos ares. Fragmentos triturados de uma mesma dimensão -- a vida. Hoje, oscilam com tanta maestria. E nenhum maniqueísmo irrompe mais. Se a alegria entra em cena, o cenário é a tristeza. Se a tristeza é protagonista, seu diálogo é com a alegria. Eis aqui a mais poética alteridade. Sobre o caos dos últimos dias? Tem revirado cartas, certezas, sonhos, fotografias, a alma. Las noches? Já não compactuam com o sono, tornaram-se amantes do delírio, de outras línguas [todas tuas. Acordo: sete textos empilhados sobre a mesa, olheiras, um prazo opressor para a leitura. Xícara de café, banho frio: indícios de realidade. Nenhum desejo de percorrer universos que não passem por teus olhos. Segredo? T e u a n [s e i o]. Crítica, gramática, linguística, teoria, cultura, você. Sua dança, voz, perfume, lábios, doce, castanho. Lá fora as buzinas, a tampa das panelas, o tamborilar das moedas. Eu entrando na sua casa. O barulho da chave, da maçaneta, a porta se fechando. O mundo atrás de nós. Nós, o silêncio ininterrupto. A decadência de tudo. A tua cadência. Uma pausa no tempo. Um pouso em ti.